O que é um Paradoxo? | Significado e exemplos

Um paradoxo é uma afirmação ou situação que parece absurda ou ilógica de início, mas que revela sentido e até uma verdade depois de se pensar bem.

O paradoxo nos convida a refletir e repensar certezas.

Exemplo de paradoxo
  • A única constante na vida é a mudança. (Paráfrase de Heráclito de Éfeso)

Essa frase parece contraditória, mas nos lembra que a única coisa certa na vida é que tudo muda o tempo todo.

Os paradoxos são frequentemente encontrados na:

  • Literatura
  • Filosofia
  • Lógica

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O que é um paradoxo?

Um paradoxo é uma união de ideias contraditórias que parecem se anular, mas que, juntas, revelam uma verdade inesperada.

Como figura de linguagem, sua função é convidar o leitor a olhar duas vezes, criar tensão filosófica, ironia “séria” ou humor sutil.

Paradoxo: exemplos
Menos é mais.

Para me encontrar, preciso me perder.

Sou dono do meu destino, mas prisioneiro das minhas escolhas.

Escritores usam paradoxos para lembrar que a vida é cheia de contradições e fazer o leitor pensar. Esse recurso é chamado de paradoxo literário.

As principais características da figura de linguagem paradoxo são:

  • Contradição aparente – reúne ideias que, à primeira vista, se anulam.
  • Convite à reflexão – exige que pensemos mais fundo para encontrar sentido.
  • Desafio às crenças – questiona as noções prévias e revela camadas ocultas de um conceito.

Tipos de paradoxo

O universo dos paradoxos vai muito além da linguagem e da literatura.

Além do paradoxo literário, há versões que desafiam a lógica matemática, brincam com viagens no tempo e questionam até a existência de vida fora da Terra.

Principais tipos de paradoxo, seus usos e cinco exemplos de paradoxo
Tipo Para que serve Como funciona Exemplo clássico
Paradoxo lógico Testar (ou expor) limites da lógica formal. A afirmação gera uma contradição que o próprio sistema não resolve. “Esta frase é falsa.” (Paradoxo do mentiroso)
Paradoxo literário Provocar reflexão e crítica dentro de um texto. Parece contraditório, mas ilumina uma ideia maior ou social. “Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais que outros.” – George Orwell
Paradoxo temporal Explorar viagens no tempo e causa-efeito. O efeito vira causa de si mesmo; passado e futuro se misturam. Skynet manda um Exterminador ao passado e acaba criando… a própria Skynet.
Paradoxo da teoria dos conjuntos Revelar falhas em definições de “conjunto” na matemática. Um conjunto “inclui a si mesmo” e gera contradição. O barbeiro só barbeia quem não se barbeia. Quem barbeia o barbeiro?
Paradoxo filosófico Questionar temas como existência ou realidade. Confronta alta probabilidade com falta de evidência. Paradoxo de Fermi: tantas estrelas… por que ainda não achamos ETs?

Apesar dos vários tipos, paradoxo indica sempre uma contradição que revela uma verdade.

Paradoxo: da Grécia ao Brasil

A palavra paradoxo vem do grego parádoxos (“contrário à opinião”) e entrou no latim como paradoxum, carregando a ideia de afirmação surpreendente ou contra-intuitiva.

Filósofos gregos exploraram paradoxos para questionar o conhecimento e a realidade.

Paradoxo e filósofos gregos
  • “Só sei que nada sei.” (Sócrates)

Platão credita a Sócrates a ideia de que o verdadeiro sábio reconhece sua própria ignorância.

  • “Se Aquiles corre atrás de uma tartaruga que está à sua frente, ele jamais a alcançará.” (Zenão de Eleia)

Aquiles nunca alcança a tartaruga porque, ao chegar onde ela estava, ela já foi um pouco mais adiante. E isso se repete infinitamente.

Essas frases são, em sua origem, paradoxos filosóficos. Apesar de circularem em textos literários, sua raiz está na filosofia.

No português medieval, o termo surgia em debates de lógica e teologia. Na Idade Moderna, aparece na literatura barroca com versos que mostram conflitos profundos.

Paradoxo no Barroco (séc. XVI–XVIII)
“A mesma razão de duvidar nos dará a razão da dúvida.” (Padre Antônio Vieira)

“O todo sem a parte não é todo / A parte sem o todo não é parte…” (Gregório de Matos)

Os poetas barrocos exploravam tensões entre alma e corpo, céu e terra, fé e razão, pecado e salvação, usando o paradoxo para envolver o leitor ou ouvinte.

No Brasil, movimentos literários e culturais seguiram explorando o paradoxo como forma de mostrar conflitos internos, sociais e existenciais.

Paradoxo no Tropicalismo (1960–70)
“É proibido proibir.” (Caetano Veloso)

“A alegria é a prova dos nove / E a tristeza é teu porto seguro” (Gilberto Gil, Torquato Neto)

Na Tropicália e na herança estético-política que deixou, o paradoxo mistura crítica social e lirismo urbano para mostrar as contradições da modernidade.

Atualmente, diversos artistas resgatam esse legado, evidenciando as tensões entre esperança e frustração.

Paradoxo na música e poesia brasileira contemporânea
“Era um cômodo incômodo* … / Delírio é equilíbrio …” (Emicida / Rael, hip hop)

“Regressão / de um país em construção” (Bolha, poesia slam)

“Recife, cidade do mangue / Onde a lama é a insurreição” (Chico Science, manguebeat)

*Paradoxo e oxímoro.

No trecho “a lama é insurreição”, de Chico Science & Nação Zumbi, há um paradoxo metafórico, pois revela a potência que nasce de um ambiente inóspito: o mangue.

É paradoxo ou oxímoro?

Paradoxo e oxímoro são “parentes” entre as figuras de linguagem, mas não são sinônimos.

  • Oxímoro é um tipo de paradoxo. Ele junta duas palavras com sentidos opostos na mesma sentença, como em “silêncio ensurdecedor”. É curto, incisivo e causa impacto imediato.
  • Paradoxo é mais amplo: traz ideias contraditórias numa mesma frase ou conceito. Pode soar sem sentido no início, mas revela uma verdade profunda ou provocativa, como em “menos é mais”.

Em resumo: todo oxímoro é um paradoxo, mas nem todo paradoxo cabe no formato direto e conciso do oxímoro.

O paradoxo, por si só, tende a ser mais enigmático, instigante e reflexivo.

Paradoxo ou oxímoro: exemplos
Um doce veneno. (Oxímoro, logo, paradoxo)

Uma liberdade prisioneira. (Oxímoro, consequentemente, paradoxo)

A liberdade aprisiona quem não sabe o que fazer com ela. (Paradoxo com oxímoro)

Combater o fogo com fogo. (Paradoxo)

Tanto o paradoxo quanto o oxímoro são classificados como figuras de pensamento. Ou seja, recursos retóricos que atuam no campo das ideias, não apenas no das palavras.

Essa classificação, contudo, pode variar de manual para manual da língua portuguesa.

Paradoxo e outras figuras de linguagem

É comum encontrar figuras de linguagem que coexistem. Um paradoxo pode muito bem carregar uma antítese ou ter um valor metafórico.

Antítese + Metáfora + Paradoxo
  • Minha fortaleza é feita de dúvidas.

A ideia de segurança construída com incerteza soa impossível até entendermos que questionar pode fortalecer.

  • A pressa estaciona minha vida.

Correr resultando em imobilidade parece ilógico, mas revela que viver correndo leva a lugar nenhum.

Nos exemplos anteriores:

  • Antítese: coloca os opostos lado a lado (fortaleza x dúvidas, pressa x estaciona).
  • Metáfora: cria a cena imaginária (“fortaleza” simboliza força, “dúvida”, incerteza; “estaciona” vira imagem de paralisia, “pressa” representa um modo de viver).
  • Paradoxo: transforma a contradição em revelação.

É possível ainda encontrar paradoxo carregado de ironia, a depender da entonação.

Paradoxo + Ironia
  • Ganhei perdendo tudo.

Se a reflexão é sincera e a pessoa realmente vê um ganho no meio da perda, não há ironia. Se a pessoa usa a contradição para criticar a própria derrota: contém ironia.

Pode-se ainda usar uma metáfora para explicar o próprio paradoxo.

Explicando paradoxo com metáfora
Paradoxo é uma lâmpada apagada que ilumina, é uma rua de mão única em duas direções, é um relógio parado que insiste em correr.

Paradoxo é um cadeado escancarado: um convite à reflexão que prende e liberta o leitor ao mesmo tempo.

Teste seu conhecimento | O que é paradoxo?


Perguntas frequentes sobre paradoxo

Qual é um exemplo de paradoxo na literatura?

Este é um exemplo da figura de linguagem do paradoxo na literatura:

  • Devo ser cruel apenas para ser bondoso.

Esta frase aparece na obra Hamlet de Shakespeare (ato 3, cena 4).

Nesta cena, Hamlet explica à sua mãe, Gertrudes, que está sendo muito duro, mas que sua intenção é alcançar um resultado positivo em vez de simplesmente prejudicar os outros.

Esta frase capta a luta interior de Hamlet enquanto navega pelas lutas políticas e pessoais da história.

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Para que serve um paradoxo?

Um paradoxo pode cumprir várias funções dependendo do contexto em que é utilizado como figura de linguagem.

Em geral, um paradoxo serve para:

  • Chamar a atenção e incitar os leitores a pensar sobre uma afirmação de maneira mais profunda e exaustiva em vez de tomá-la ao pé da letra.
  • Mostrar a complexidade de diversos conceitos e fenômenos.
  • Destacar as limitações do entendimento e do raciocínio humanos.
  • Adicionar profundidade e riqueza ao texto, criando camadas de significado que vão além das interpretações superficiais.

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Qual é a diferença entre paradoxo e oxímoro?

Paradoxo e oxímoro são figuras de linguagem que implicam uma contradição. No entanto, existe uma diferença principal entre eles.

Paradoxo é uma afirmação ou situação que parece logicamente incoerente e, no entanto, faz sentido.

Um exemplo de paradoxo é:

  • Combater o fogo com fogo.

Oxímoro é um tipo de paradoxo formado pela combinação de duas palavras com significados opostos na mesma sentença, criando um novo sentido a partir dessa contradição.

Um exemplo de oxímoro é:

  • Silêncio ensurdecedor.

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Nova, L. (8 de outubro de 2025). O que é um Paradoxo? | Significado e exemplos. Quillbot. Acessado e 20 de novembro de 2025, em https://quillbot.com/pt/blog/figuras-de-linguagem/paradoxo/

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Luana Nova, BA

Pós-graduada em storytelling com dados e bacharela em comunicação social. Especialista em design de conteúdo e linguagem simples. Atua em redação há 12 anos e faz pesquisa em web semântica.